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A Escola ponto

Quinta-feira, 19.05.16

 

 

  

A Escola ponto é uma marca privada que se vestiu de amarelo e que se quer considerar parte integrante da rede escolar, embora as regras sejam completamente diversas da escola pública. As regras, a cultura de base e a população estudantil. O ponto quer precisamente ligar o que não é possível ligar.

Portanto, a Escola ponto é uma marca montada com habilidade para convencer a opinião pública de que presta um serviço público e que, assim sendo, deve continuar a ser financiada com o dinheiro do contribuinte.

 

Deve, portanto, perguntar-se ao contribuinte: Está disposto a continuar a sustentar os colégios com contrato de associação? Pegando num dos argumentos-chave da marca amarela Escola ponto, também o contribuinte deve ter liberdade de escolha.

Além disso, o contribuinte foi maltratado, desconsiderado e esmifrado pelos partidos políticos que apoiam a Escola ponto. Partidos políticos que cortaram na Escola Pública.

 

Outro argumento-chave da Escola ponto é a defesa do interesse das famílias. Então e o abandono dos apoios no Ensino Especial? E os preços exorbitantes dos manuais escolares que mudavam anualmente? Como é que isso ajudava as famílias? Afinal, de que famílias estamos a falar?

 

Estamos finalmente a ver um ministro da Educação com uma visão ampla, clara e estratégica da Escola Pública e da Educação. 

Parece que já está a ser pressionado, prensado e massacrado pelos lóbis da Escola ponto. Igreja, empresários da educação, PSD, CDS, isto para abreviar. Por isso, embora tenha o apoio dos partidos que suportam o governo, seria importante ter o apoio do contribuinte.

 

 

Post publicado no Vozes Dissonantes.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:20

A consciência abrangente do Papa Bento XVI

Quarta-feira, 13.02.13

 

A decisão do Papa Bento XVI deixou tudo perplexo. Mesmo os que dizem não se ter surpreendido e compreenderem a decisão, o seu olhar desmente as suas palavras. A cultura vigente do culto do poder e da personalidade não perspectiva o grande plano, a comunidade para além desta ou daquela liderança.

O Papa Bento XVI sempre revelou uma consciência abrangente, da dimensão do grande plano, da importância da cultura cristã e da comunidade. Entrou numa fase turbulenta da Igreja, de enorme decadência moral, de perda de contacto com os valores que estruturam uma comunidade cristã. A Europa parecia embevecida com a cultura do espectáculo, do frívolo, do imediato. As lideranças políticas e financeiras revelavam a sua estreita mentalidade,  a estratégia do oportunismo, ávidas de poder.

Parece perfeitamente óbvio que o Papa se tenha preocupado com esta crise moral e cultural, e por onde poderia começar? Precisamente pelas lideranças, as que têm o poder de influenciar as vidas de milhares de pessoas. São também as lideranças que têm a responsabilidade do exemplo ético, da escolha de uma organização mais equilibrada, da distribuição justa dos recursos.


Um dia celebrei e agradeci aqui ao Papa a sua vinda a Portugal, numa fase tão difícil e determinante da nossa vida colectiva.

Hoje celebro e desejo ao Papa uma vida tranquila e feliz, onde possa ainda iluminar o caminho de quem decide por tantos outros. E sentindo que será do contacto directo com o seu povo, da alegria partilhada, que o Papa sentirá mais falta. Recordo a sua alegria quando desceu em Portugal e imediatamente sentiu o acolhimento português, a essência desses laços muitos fortes e muito antigos. E tenho visto a sua alegria nas suas breves homilias à janela do palácio de S. Pedro.




Ao Santo Padre, com a minha gratidão



Todos os desertos são áridos e frios

mas este pareceu-lhe, além de tudo isso,

metálico e bélico


A barbárie nos olhos gulosos e vorazes

a ausência de vestígios de emoção

de sinais de vida humana


A palavra tem uma influência limitada

mesmo a avisada e sábia

recorrer à acção discreta, à tolerância

 

Oriente e ocidente encontram-se de novo

numa cultura antiga que os uniu e separou

para voltar a unir


Quis lembrar-lhes, acima de tudo, 

a sua humanidade e dignidade

a sua cultura comum

esses laços muito antigos 

que permanecem

mesmo nos desertos mais áridos e frios


Obrigada, Santo Padre!




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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:42

"Desenvolvimento local, caridade global" (XXVII Encontro da Pastoral Social)

Quarta-feira, 14.09.11

 

É com este tema "Desenvolvimento local, caridade global", que abriu ontem, em Fátima, o XXVII Encontro da Pastoral Social. É a fórmula adequada para o desafio actual: sociedade e economia, respeitando a vida e a dignidade. 

Refiro-me a esta fórmula porque é inovadora, traduz a realidade do séc. XXI, a ideia fundamental de uma economia global em que tudo está em comunicação e inter-relação, o micro e o macro.

Nesta perspectiva de um mundo globalizado, a Igreja tem consciência da escolha que está implícita: a continuação de um caminho destrutivo que promove fracturas e desequilíbrios entre fortes e fracos, entre ricos e pobres, e um caminho que respeita a vida e a dignidade de cada um, e de todos, e que implica ousadia, coragem, criatividade, inovação.

O primeiro caminho é o que vemos actualmente na gestão política, no limite é um caminho suicidário, pois não se pode subsistir sobre ruínas e lixo. Mas ainda é esse o caminho dominante, obedecendo a uma lógica que se baseia na ideia de escassez, em que a riqueza que se produz simplesmente não dá para todos. Esta é uma visão redutora da economia.

O desafio que conta é outro: o que mantém a escassez, o que impede a economia de respirar, de mexer, de se movimentar? A começar, esta perspectiva redutora de economia em que só alguns podem ter acesso à sua fonte porque se pode esgotar.

A economia, vista como fonte de vida, um movimento constante, que corre livremente e livremente se movimenta, em trocas de bens e serviços, nunca teve tanta possibilidade de se concretizar. É essa a perspectiva da fórmula: "desenvolvimento local, caridade global". Estão inter-ligados, indissociáveis. É a lógica da vida, da criatividade e da inovação, da dignidade e da autonomia. É uma lógica que contraria a perspectiva de economia redutora, que se baseia na escassez e, no limite, na destruição e na morte (fome, conflitos, guerras).

Sim, é verdade, ando a ler Alvin e Heidi Toffler, "A Revolução da Riqueza - como será criada e como alterará as nossas vidas". Mas não se trata de uma leitura sem filtros. É a perspectiva de economia que me parece aproximar-se mais da nossa realidade actual. Aliás, Alvin Toffler previu muitas das alterações recentes tecnológicas, culturais e sociológicas, que afectaram profundamente a economia. E que a alteraram irreversivelmente, de natureza e dimensão. Uma economia que se baseia cada vez mais em informação e conhecimento, em inovação e criatividade, e que implica rapidez, flexibilidade, fluidez, comunicação, inter-relação.



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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:29

As vozes estruturantes: sociedade civil, Igreja e CDS. Só falta mesmo um Presidente

Sábado, 27.11.10

 

As vozes estruturantes são aquelas que promovem a coesão social, o sentimento de pertença a uma comunidade onde ninguém é excluído, e que estão atentas às necessidades dos mais desfavorecidos.

São as vozes estruturantes que têm garantido a paz social, evitando rupturas e fracturas. E que têm atenuado o maior desespero de todos: a fome.

Aqui não me refiro, evidentemente, às vozes teatrais, visitas programadas, palavras circunstanciais, tudo muito calculado mas inconsequente. Refiro-me a atitudes concretas, gestos, trabalho sistemático e diário, esforço, tempo, dedicação.

 

Portanto, só podemos aqui considerar como verdadeiramente estruturantes, as seguintes vozes:

 

- a sociedade civil: é aqui que a dinâmica da solidariedade se tem expandido mais, em inúmeras iniciativas (associações e organizações, grupos de voluntários, etc.), no apoio aos mais vulneráveis (sem-abrigo, pobres, novos-pobres, crianças, idosos, portadores de deficiência, etc.) nas mais variadas áreas (abrigo, refeições, agasalhos, saúde, companhia, etc.); não esquecer também iniciativas concretas de alguns municípios, tendo sido a mais recente e mediática a de Rui Rio, que irá manter as cantinas de algumas escolas abertas nas férias do Natal, com a possibilidade de vir a repetir a iniciativa nas seguintes (se isto não foi uma estalada sonora, daquelas dos filmes do John Wayne, no governo e nos representantes ao mais alto nível do país que andam a adiar a intervenção do FMI, o que foi?);

 

- a Igreja: também tem tido um papel fundamental, em estreita colaboração com a sociedade civil. Além de alertar para a consciência cristã, tem garantido, através das Misericórdias, muito do apoio atrás referido. Intervenção activa indispensável para evitar as tais fracturas, rupturas e desespero das populações mais carenciadas. A resposta do governo socialista tem sido a dos tais cortes orçamentais, e não apenas nas Misericórdias mas nos estabelecimentos de ensino (a falta de visão deste governo socialista chega a ser histórica). Recentemente, vendo-se na iminência de ter de fechar algumas valências por falta de recursos, a Igreja tem apelado à solidariedade cristã e, concretamente, à partilha da própria mensalidade dos padres (outra estalada sonora à John Wayne no governo socialista e nos representantes ao mais alto nível do país que andam a adiar a intervenção do FMI);

 

- o CDS: o único partido com assento parlamentar que tem apresentado sistematicamente medidas alternativas eficazes, que permitam crescimento económico e emprego (política fiscal, incentivos às pequenas e médias empresas), que defendam as áreas-chave da economia do país (agricultura, pescas, etc.), que protejam os mais desfavorecidos (actualização das pensões de reforma mais baixas, manter o abono de família, etc.), que permitam um equilíbrio social e a coesão social.

 

Porque não considerei o PSD? Será preciso apresentar aqui as razões? Estão todas à vista e ainda bem, sim, ainda bem, que o povinho teve a possibilidade de ver com os seus próprios olhinhos a verdadeira e inequívoca natureza do PSD que, por "patriotismo" aceitou os PECs e este OE 2011 miserabilistas e imorais, nem se preocupando com a redução drástica da despesa estatal. Finalmente, ficou visível a sua cultura corporativa. Bom proveito.

O BE? Que recentemente votou pelo TGV, o tal investimento público para reanimar a economia? E que promove greves gerais que só reforçam a cultura corporativa? Já repararam que o BE podia ser resumido nesta frase: "muita conversa, poucos resultados?"

O PCP: idem aspas aspas.

 

São, pois, estas as vozes estruturantes: a sociedade civil, a Igreja e o CDS.

 

Podem perguntar-me: e o Presidente? Não tem sido uma voz que promove a unidade, a estabilidade e a coesão social? Palavras circunstanciais, tudo muito calculado mas inconsequente, não iniciativas concretas e gestos inequívocos, reveladores de uma consciência social.

 

Aceite a desilusão de ter perdido um país para sempre - o "país antigo" dos valores comunitários e da cultura da amabilidade -, ainda assim posso sonhar com um país "regenerado" ou "restaurado".

Não adiro, pois, ao conformismo generalizado de que não há uma possibilidade, uma única, de ver um Presidente que seja uma voz estruturante.

 

Aqui defini o perfil ideal de Presidente da República e procurei perceber porque é que a direita ficou sem Presidente.

Reparem bem neste perfil, procurem melhorá-lo, pode faltar lá alguma qualidade que terei esquecido. Uma liderança que garanta estabilidade, mas que saiba antecipar e não apenas reagir, que tenha uma visão de país preparado para os desafios do séc. XXI.

Quem se aproxima mais deste perfil?

Reparem também num simples pormenor: a experiência presidencial do candidato não é a condição mais importante. Tendo o perfil adequado, aprenderá depressa. Além disso, tem os Conselheiros e todo um staff protocolar. Mais importante é o perfil adequado.

 

Aqui também analisei as diversas candidaturas:

~ o fenómeno irrepetível Alegre-2006, que foi um equívoco;

- a candidatura de Fernando Nobre, que nasceu também de um equívoco (um desafio de um ex-Presidente que não quis ver Alegre brilhar, como se isso se fosse repetir), mas que pode vir a tornar-se no novo fenómeno, nesta fase em que a pobreza se tornou visível e urgente;

- e uma recandidatura já anunciada, festejada e glorificada (com a aprovação do miserabilista OE 2011 e o adiamento da intervenção do FMI), antes mesmo das eleições presidenciais em finais de Janeiro. É esta a dimensão da soberba e do paternalismo da cultura corporativa.

 

Clarificação deste post a 2 de Outubro de 2015: Quando releio este tipo de posts por mim escritos há anos, fico completamente arrepiada. Será possível que eu tenha pensado assim? Vozes estruturantes?

A Igreja já não é a do D. Eurico Dias Nogueira nem a do D. Manuel Martins dos anos 90. Graças a Deus há o Papa.

O CDS nunca foi democrata nem cristão.

E não votei no Presidente que a direita escolheu.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:16

Viagem no tempo-espaço com um ramo de oliveira

Terça-feira, 30.03.10

 

Esta é a minha semana preferida do ano, a que vai do Domingo de Ramos ao Domingo de Páscoa. Assim como o meu mês preferido é o Maio florido. E a estação do ano, a Primavera. E a flor, a rosa frágil e efémera, mas tão perfumada, de Santa Teresinha.

Num tempo em que se desvalorizam os símbolos, os rituais a marcar o nosso percurso, a dar-lhe um ritmo e um sentido, e a lembrar-nos a nossa condição frágil e transitória, mas única e irrepetível, mantenho só para mim os meus próprios marcos. E esta semana é um deles.

E não consigo evitar, tal como o protagonista do Life on Mars, viajar no tempo até essa Páscoa nos finais dos anos 60, em que levei um ramo de oliveira, tal como todos nesse Domingo levaram, nesse Domingo de Ramos.

Eu era, digamos, o que se pode chamar uma criança impressionável, levava tudo muito a sério. Vivia a realidade como se fosse um filme e via os filmes como se fossem realidade. Aquele ramo de oliveira simbolizava a paz. Protegi-o como a uma preciosidade.

 

Hoje, depois do regresso no tempo-espaço, vejo o terrível paradoxo da natureza humana nesse percurso de Cristo, aclamado e acarinhado pela multidão, para pouco tempo depois escolherem Barrabás. Este é um dos dilemas da natureza humana.

O próprio percurso de Cristo, nesse período, revela-nos, de certo modo, a história humana que se repete pelos tempos sem fim todos os dias e em todos os lugares do mundo. Revela-nos que a paz é efémera, um impulso frágil, um entusiasmo. Como se as pessoas não conseguissem nela permanecer por muito tempo ou não conseguissem coabitar sem conflitos. Cristo foi acarinhado pela multidão nesse dia de ramos... para, na hora da verdade, em que a paz era mais necessária, o discernimento, a consciência, a empatia, ser esquecido e abandonado.

Esta é uma visão muito simplista da história, eu sei, Cristo tornou-se incómodo para os representantes religiosos (esqueço-me sempre dos termos correctos, enfim, para a hierarquia religiosa, os sábios, os doutores, que um dia o tinham ouvido em menino no templo). A sua mensagem comprometia a sua posição, tal como hoje, os representantes da hierarquia, e já nem me refiro apenas à Igreja que até tem insistido nisto, mas ao poder temporal. Preferem calar a escravização em curso do povo que supostamente representam porque os elegeu, a perturbar a lógica injusta e ilegítima de privilegiados (a "nova elite") e escravos (o contribuinte de fracos rendimentos e o reformado indefeso). Sim, a mensagem de Cristo comprometia a diplomacia conveniente com o poder de Roma.

 

Mesmo que Cristo tenha definido as fronteiras naquela frase A César o que é de César, a Deus o que é de Deus, não se submeteu à lógica da linguagem do poder, colocou-se num plano imune a essa lógica terrena, o seu reino não era deste mundo, e isso era incompreensível, inaceitável. Ainda hoje me interrogo: a que é que Cristo se referia, em que plano ou dimensão, quando define aquela fronteira enigmática?

Inclino-me a pensar que essa frase ainda hoje é mal interpretada por muitos. Porque a mensagem de Cristo compromete, desde logo, esse limite, ao colocar todos na dimensão de filhos de Deus, todos, sem excepção, numa irmandade igualitária. Isto implica a libertação da escravidão, a sua mensagem não pode conviver com donos e escravos, com a linguagem do poder. E os homens que espalham a mensagem não podem ficar indiferentes a essa lógica que escraviza, simplesmente não podem. A sua mensagem também implica a dignificação da vida de cada um, como única, preciosa, irrepetível. Novamente, o que fazeis ao mais pequeno de vós é a mim que o fazeis.

 

Mas poderia a frase significar que estes dois planos, o terreno e o divino, nunca se encontram, nunca coexistem? E, tal como no filme Rio sem Regresso, quando Marilyn sonha viver num lugar onde as pessoas sejam tratadas como seres humanos, Robert Mitchum responde: Isso é no céu...? Como se não fosse possível viver essa paz e respeito mútuo no plano terreno? Mas não faz sentido. Essa é a lógica do mártir, e ficaria por aí, pela sua afirmação libertadora através da sua morte, e pela repetição de martírios sem fim à vista que não seja perpetuar a vítima e reforçar o poder do predador. Já para não falar dos mártires de que não sabemos, essa pena máxima silenciada, sem julgamento sequer...

 

E tudo isto num simples ramo de oliveira que levei nesse Domingo de Ramos numa Páscoa de finais dos anos 60...

É por tudo isto que em vez de paz prefiro dizer empatia, porque é a capacidade humana de sentir o que o outro sente, a única que permite essa libertação da lógica da linguagem do poder, que cria conflitos porque não sabe (não pode) viver em paz, porque precisa de dominar e manipular para preencher o seu vazio interior, porque é o ódio e a morte que o motivam (e que também definem a sua acção).

E sim, é possível aprender a viver na cultura da amabilidade na diversidade. E sim, é possível identificar as sementes de violência e os "falsos deuses" que dela se alimentam. E sim, é possível a responsabilidade individual, cada um no seu papel, na colaboração mútua. E sim, é possível uma nova organização social mais livre e, ao mesmo tempo, mais equilibrada e justa e, por isso mesmo, mais inteligente também.

 

 

 

Também aqui: sobre a composição de Jesus Christ Superstar.

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:01

"E ninguém se revolta com isto?" (Bagão Félix, sobre o PEC)

Quinta-feira, 18.03.10

 

Ontem ainda consegui assistir aos resumos do debate na AR sobre o PEC, a constituição de uma comissão de inquérito e as trocas acesas entre Marques Guedes e José Lello. E consegui ainda perceber, numa notícia de um dos telejornais, que surgiram problemas nas negociações dos sindicatos dos professores com a ministra da Educação. E ainda ouvi Carvalho da Silva sobre o PEC. Que o povo se iria mobilizar. Mas desta vez não me soou a PREC, apenas me lembrei do que Medina Carreira anda a dizer há 2 ou 3 anos: as pessoas vão-se revoltar perante estas enormes diferenças sociais.

 

Em relação ao debate na AR: sobre o PEC, esse estado novo reeditado, irei falar a seguir, sobre a comissão de inquérito apenas dizer que é uma das funções de um parlamento numa democracia. E sobre a divergência entre os dois deputados: o PS, à falta de argumentos, quer colar o PSD à falta de liberdade de expressão interna. É risível. O PSD é o partido que mais pratica a liberdade de expressão. A norma estatutária que tem dado tanto alarido dirige-se apenas aos ilustres que se põem a criticar as orientações do próprio partido nas televisões, em vez de o fazer dentro do partido, como aliás deve ser.

Assim, José Lello teve de se confrontar com a sua contradição, pois referiu, num debate televisivo, que Manuel Alegre tinha falta de carácter. E porquê? Porque se distanciou uma ou duas vezes da orientação oficial do PS. Resultado: José Lello ficou vermelho e teve de engolir a verdade sobre a magnífica liberdade de expressão dentro do PS. 

Mas mesmo na discussão sobre o PEC e sobre a constituição da comissão de inquérito, a argumentação do PS baseou-se no seguinte: trata-se de uma perseguição ao PM e o PSD sofre de asfixia democrática. É esta a argumentação do PS, nada mais.

 

Depois destes resumos, passei à Sic Notícias e ainda vi e ouvi o final da entrevista de Mário Crespo a Bagão Félix. O que lamentei não ter conseguido apanhar toda a entrevista...

Foi reconfortante ouvi-lo, porque fora Medina Carreira e uma ou outra voz mais lúcida, ninguém fala assim no país.

Consegui registar esta frase sobre o PEC, aí vai:

Este PEC é muito presente nos impostos, vago na despesa, omisso na poupança e ausente na economia.

Isto diz tudo. Mas há mais:

O PEC é contra a família. Bagão Félix explica que o PEC trata de forma igual famílias com muitos filhos e as restantes famílias.

Em relação aos reformados: Então os desgraçados com as pensões mais baixas, de 187 euros, vão ver as suas pensões congeladas até 2013?

O país precisa de um reforço de decência. Há muita falta de decência no nosso país.

É um Bagão Félix perplexo e emocionado que pergunta quase no final: 

E ninguém se revolta com isto?

Onde está a Igreja? Está anestesiada? No meu tempo de ministro e no tempo de Guterres, ainda saíam umas Notas Pastorais...

 

Com estas frases registadas nos neurónios, passei para as únicas séries televisivas que acompanho, Life on Mars e Lie to me, que preenchem actualmente o meu serão das 4ªs feiras.

No final, ainda consegui ouvir um Manuel Villaverde Cabral muito inflamado nos segundos finais do programa Roda Livre da TVI 24: Não é certo que quem romper com esta paz podre vá ser penalizado... penso que se referiu ao Presidente, porque falou em reeleição.

Porque é que será que juntaram todos os programas interessantes nas 4ªs feiras à noite? A ver se consigo ver a repetição do Roda Livre na TVI 24 às 13 e pouco. E a ver se voltam a passar na SIC excertos da entrevista a Bagão Félix.

 

Sim, este é o estado novo reeditado. Bem pior do que na primavera marcelista em que a Igreja tinha uma voz pelos mais desprotegidos da comunidade. E as elites culturais tinham um papel muito significativo. Nunca aliás houve tanta energia vital, tanta criatividade, tanto entusiasmo, tanta esperança... Talvez não seja por acaso que os jovens estão a recuperar Ary dos Santos.

Quanto ao poeta da Trova do Vento Que Passa... que me levou a votar em 2006, numa recaída patética na nostalgia de um tempo que passou para sempre (os trovadores de Coimbra dos anos 70), já não convence ninguém. Essa Trova é como o PS e o socialismo: um equívoco.

 

 

 

Dois dias depois: Quanto à Igreja, seria injusto não referir aqui as vozes dessa igreja viva, essa luz acesa, de D. Manuel Martins, D. Januário Torgal Ferreira e D. Carlos Azevedo. Haverá outras vozes certamente, mas estas foram as que eu ouvi.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:48








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